Prova de Amor: “Meu bem, deixa crescer a barba para me agradar”, pediu ele. E ela, num supremo esforço de amor, começou a fiar dentro de si e a laboriosamente expelir aqueles novos pêlos, que na pele fechada feriam caminho. Mas quando, afinal, doce barba cobriu-lhe o rosto, e com orgulho expectante entregou sua estranheza àquele homem: “Você não é mais a mesma”, disse ele. E se foi. (Marina Colasanti) Patativa do Assaré: Neste estilo popular Nos meus singelos versinhos O leitor vai encontrar Em vez de rosas espinhos Fanatismo: Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida. Meus olhos andam cegos de te ver! Não és sequer razão do meu viver, Pois que tu és já toda a minha vida! Não vejo nada assim enlouquecida... Passo no mundo, meu Amor, a ler No misterioso livro do teu ser A mesma história tantas vezes lida! "Tudo no mundo é frágil, tudo passa..." Quando me dizem isto, toda a graça Duma boca divina fala em mim! E, olhos postos em ti, digo de rastros: "Ah! Podem voar mundos, morrer astros, Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..." (Florbela Espanca) Um dos únicos poemas que eu gosto. Meu passado te condena: - 23/12/2007 a 29/12/2007 - 10/09/2006 a 16/09/2006 - 23/07/2006 a 29/07/2006 - 21/05/2006 a 27/05/2006 - 22/01/2006 a 28/01/2006 - 08/01/2006 a 14/01/2006 - 20/11/2005 a 26/11/2005 - 13/11/2005 a 19/11/2005 - 30/10/2005 a 05/11/2005 - 11/09/2005 a 17/09/2005 - 21/08/2005 a 27/08/2005 - 14/08/2005 a 20/08/2005 - 07/08/2005 a 13/08/2005 - 31/07/2005 a 06/08/2005 - 24/07/2005 a 30/07/2005 - 10/07/2005 a 16/07/2005 - 12/06/2005 a 18/06/2005 - 29/05/2005 a 04/06/2005 - 22/05/2005 a 28/05/2005 - 08/05/2005 a 14/05/2005 - 01/05/2005 a 07/05/2005 - 24/04/2005 a 30/04/2005 - 17/04/2005 a 23/04/2005 - 03/04/2005 a 09/04/2005 - 27/03/2005 a 02/04/2005 - 20/03/2005 a 26/03/2005 - 13/03/2005 a 19/03/2005 | ||||
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Comunhão
Deitada, de olhos fechados, consigo me lembrar da última vez que o vi vivo. Tentava parecer tranquilo, apesar de, por dentro, estar gritando de dor. Esperava, com o resto de vida que ainda tinha, a minha chegada. E foi em meus braços que ele proferiu suas últimas palavras e fechou seus olhos, proibindo-me de poder, algum dia, contemplar mais uma vez o amor que eles sempre me transmitiam. E essa sua imagem se confunde na minha cabeça com aquela dele, nesse mesmo dia, feliz e satisfeito por ter conseguido comprar sua tão sonhada moto. Nunca passou pela nossa cabeça que aquele sonho iria se transformar em um pesadelo, diferente de todos os outros, pois os comuns sempre passam quando acordamos, e esse vem logo após meu despertar. De repente, abro os olhos e me sinto fraca. Deus tirou um pedaço de mim. E a dor que isso provoca me faz, desesperadamente, procurar esse pedaço que me falta nas lembranças do meu amado. E, nesse meu estado de subconsciência, vou conseguindo ajustar ângulos e curvas, e como numa comunhão me transformo, juntamente com as lembranças do morto, em uma coisa única. Viver para essas lembranças foi a chave que encontrei para não me submeter totalmente aos caprichos da solidão, logo após o enterro, momento em que tive a certeza de que ele não voltaria mais. E, sem querer, me pego falando baixinho o nome dele, fazendo com que minhas lágrimas molhem seu travesseiro e que meu corpo se afunde no abismo que agora paira no lado esquerdo da nossa cama, aonde ele sempre dormia. Há, também, um abismo no lado esquerdo do meu peito, mais precisamente aonde Deus me arrancou um pedaço. E esses dois abismos me machucam e me fazem sangrar até adormecer, acordando no outro dia pronta para resgatar mais lembranças que possam me completar. baseado no poema Comunhão de Henriqueta Lisboa - Postado por: Pamy às 18h31 [ ] [ envie esta mensagem ]
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